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sábado, 8 de maio de 2010

"Uma esmola pelo amor de Deus"

"Uma esmola, meu, por caridade

Uma esmola pro ceguinho, pro menino

Em toda esquina, tem gente só pedindo

Uma esmola pro que resta do Brasil

Pro mendigo, pro indigente" - Skank


Saí da padaria com dois enroladinhos de salsicha em um pacotinho que havia sobrado de um lanche rápido de final de tarde que faço antes de ir para a aula de inglês. Em outra mão, um litro de leite numa sacola, quando meus olhos notam um moço, de uns 40 anos, à espera de algo ou alguém do lado de fora da padaria. Curiosamente, eu pergunto o que esperas ali naquele canto, sua voz baixa me diz que espera pelas sobras que todo o dia naquele mesmo horário o moço da padaria, o Antonio, lhe dá. Entrego a ele o meu pacotinho de enroladinhos e pergunto se queres que eu compre paezinhos para ele e para a sua esposa - soube da esposa por perguntar se ele estava sozinho - e humildemente me diz que não é necessário pois estava à espera de Antonio.

Em poucos segundos, nosso cérebro é capaz de ativar pensamentos, experiências e lembranças vividas e associá-las àquela situação de problema social. Insisti quanto aos paezinhos e "nada feito". Dei dois passos em direção ao curso quando me virei novamente com a mão estendida entregando-lhe a sacola com o leite. "Mas você comprou o leite para você, vai te fazer falta", disse aquela voz humilde. Sim, era verdade que eu iria fazer uma vitamina mais tarde com o leite, mas falta, iria fazer para ele e sua esposa muito mais do que para mim. Ele agradeceu e então fui embora com uma sensação de paz.

"O povo brasileiro tem o hábito e a cultura de dar esmola e ainda ter pena dos excluídos, com a visão de que a vida não deu a mesma chance para esses pobres coitados" (Esmola... reportagem de Raul Camilo - revista Filosofia, Ciência e Religião), não poderia ter palavras mais sábias para explicar a minha segunda sensação.

Na visão do Espiritismo e do Catolicismo, um dos atos de maior importância é a caridade. No budismo, as esmolas são dadas por leigos para monges e freiras para conseguir méritos e bençãos, além de assegurar a continuidades monástica. Buda Sidarta Gautama, fundador do budismo, deixou toda a riqueza de sua família para viver na pobreza e de esmola junto com seu povo. A esmola é vista de forma diferente nas diversas culturas no mundo.

Há quem não dê dinheiro como esmola, mas oferece um prato de comida. Certa vez, o lanche oferecido foi negado pelo pedinte, o que ele queria era dinheiro. Confiar que esse dinheiro seja bem aproveitado é uma tarefa difícil, não é mesmo? Vimos pessoas mandando seus filhos pedirem dinheiro no sinal para seus próprios pais. Dinheiro que pode ser usado para comprar drogas, álcool e outros fins. As pessoas do bem acabam pagando por pessoas inescrupulosas, que se aproveitam da oportunidade.

Então, dar ou não esmolas? Como distiguir pessoas oportunistas das pessos que precisam? Por que escolhemos dar esmolas para alguns e não para outros? "Ao contrário de dar dinheiro, pode-se doar tempo e carinho em uma conversa amena e fraterna, incentivando o pedinte a ir à luta em buscas de seus objetivos e conquistas" - Tarefa nada fácil, heim? Com um simples gesto de generosidade podemos mudar o cenário dessa miséria e pobreza.

Interessante ler:
Esmola...
Quando doamos, agimos certo?
E se negarmos, agimos errado?
E você acha correto dar esmola?
Reportagem de Raul Camilo Coelho Motta
Revista Filosofia, Ciência e Religião, Ano 4, n° 8, 2010
ISSN 1881-8734

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A visão da Epilepsia pelo Espiritismo.

Mangue Seco - SE
A ciência e a espiritualidade podem esclarecer a epilepsia como a existência de múltiplas enfermidades para as desarmonias do corpo, e há inúmeras outras para os desvios da alma: “O fenômeno epileptóide muito raramente ocorre por meras alterações no encéfalo, como sejam as que procedem de golpes na cabeça, e, geralmente é enfermidade da alma, independente do corpo físico que apenas registra, nesse caso, as ações reflexas” - citação do livro O mundo maior, escrito pelo espírito de André Luiz (médico), psicografado por Francisco Cândido Xavier, que interpreta a epilepsia como questão psíquica.

Os distúrbios psíquicos são analisados a partir do plano espiritual, trazendo-nos a abalizada opinião de espíritos especialistas (instrutores espirituais). Para o espiritismo, o reflexo condicionado, como o abuso do álcool, da mediunidade e da sexualidade, pode gerar o sentimento de lesão da pessoa e afetar aqueles que foram envolvidos naquela situação, criando um campo de culpa que atrai o obsessor. A atração do obsessor depende do grau de comprometimento da lesão a si próprio e aos envolvidos, mesmo que o obsessor não esteja presente.

Os reflexos da vida passada repercutem no corpo físico de hoje, no ponto de vista espiritual, para o qual há dois tipos de epilepsia: uma funcional, em que não existe lesão anatômica; e outra de difícil controle, em que há presença do obsessor e lesão maior de culpa. O livro dos espíritos, Alan Kardec, afirma: “Sem dúvida que esses são os verdadeiros possessos (...) isto nunca ocorre sem que aquele consinta, quer por sua fraqueza quer por desejo; muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médicos que de exorcismos, têm sido tomados por possessos”. O texto refere-se a relatos do Evangelho de Lucas e Marcos que tratariam da existência de quadros epilépticos secundários à ação de obsessores desencarnados. A obra de Kardec esclarece que existem quadros de epilepsia não secundários à interferência espiritual e ligados à postura cármica das doenças.

Embora Allan Kardec não tenha usado em momento algum a palavra carma, na visão espírita, cada ser humano é um espírito imortal encarnado que herda o carma bom ou mau de suas encarnações anteriores. O médico Bezerra de Menezes, em Recordações da mediunidade, psicografado pela médium Yvone Pereira, conta um caso de epilepsia que foi ocasionado pelo suicídio em vida passada: “As convulsões nada mais são do que vínculos mentais revivendo o passado (zona de remorso)”. A zona de remorso é caracterizada por um estado anormal criado pela mente por falta de oportunidade de desabafo ou correção daquela falta grave, que fica calcada no espírito, provocando distonias diversas de uma encarnação para outra, explica o espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos.

A palavra carma significa ação e designa o nível de evolução espiritual de cada pessoa, buscando melhorar o nível espiritual para atingir estados evolutivos mais elevados. Já para os budistas, o conceito de carma se refere à consequência cármica e não ao ato em si. (ver O que é Carma? O Budismo explica.)

Alguns espíritas retardam o encaminhamento de pessoas com epilepsia para os neurologistas por acreditar que aquela manifestação é puramente mediúnica, assim, o uso de águas fortificantes e a terapia espiritual, que deve ser com vibrações, preces, palestras, pois ouvem e entendem o passe, auxiliam todo o processo de melhora. Outros espíritas acreditam que o uso de remédios para buscar o equilíbrio do corpo, juntamente com a religião tem como resultado um tratamento melhor da epilepsia.

Lembre-se: Todas as pessoas, de todas as religiões, que apresentarem alguma patologia no decorrer da vida deverão ser encaminhados ao médico e seguir os tratamentos adequados para uma melhor qualidade de vida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A palavra "LUNÁTICO" e sua relação com Possessão e Epilepsia.

Mateus 17: 14 a 19
Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água; E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo. E Jesus, respondendo, disse: Ô geração incrédula e perversa! Até quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazeis-mo aqui. E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde àquela hora o menino sarou”.

Para os líderes religiosos Frei Calisto, igreja católica, e Pastor Xyco, igreja protestante, essa passagem da Bíblia é interpretada como um caso de epilepsia. A mesma interpretação pode ser vista em O Evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec.

Frei Calisto, representante da Igreja Santo Antônio do Embaré, sugere que a palavra “lunático” possa ser uma linguagem da época e que tenha derivado da crença da lua. Quanto à possessão de demônios, diz “há muitos fenômenos que correspondiam com a epilepsia, mas não necessariamente a epilepsia seja sobrenatural” e completa “Talvez Jesus quisesse mostrar nas palavras ser o Deus que expulsasse o demônio”.

“Essa grande confusão entre possessão demoníaca e epilepsia ocorre devido à ignorância tanto científica quanto bíblica de alguns que se dizem pastores”, explica o Pastor Xyco e afirma “É um caso claro de ação demoníaca e não de epilepsia”, sugerindo que há uma tradução errônea da Bíblia.

Acreditava-se que a lua não era considerada um satélite da Terra e sim uma divindade que poderia controlar a epilepsia. Elza Márcia Targas Yacubian, em Epilepsia: da antiguidade ao segundo milênio – saindo das sombras, diz que “as pessoas afligidas pelo mal haviam pecado contra Solene, a deusa da lua, ainda que esta constituísse uma doença sagrada, pois sua cura não poderia se processar por meios humanos, mas apenas pela intervenção divina”.

Com o cristianismo, as pessoas passaram a acreditar que as crises se tratavam de processos naturais: “O aquecimento da atmosfera terrestre pela lua derreteria o cérebro, provocando as crises”, continua Elza.

Dados científicos, como os de Moreau, sobre a relação das crises de epilepsia e a mudança das fases da lua, analisando mais de 42 mil crises de 108 homens em cinco anos, chegaram a resultados negativos. Mas mesmo assim, para alguns espíritas, a fase da lua pode influenciar as crises.

Até hoje, falar de epilepsia, para algumas religiões, é ainda sinônimo de possessão. Uma pessoa com epilepsia sofre preconceito por líderes religiosos, que influenciam os seus seguidores a acreditarem que ela carrega o estigma de ser possuída por demônio, sendo passível de cura apenas por meio de orações e rituais de exorcismos. É comum ainda a prática de exorcismo da epilepsia em algumas igrejas, principalmente as pentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus, que acreditam somente na fé para a cura e dispensam o uso de remédios.

O pastor Marcos Jair Ebeling, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, explica: “Reconhecemos que a causa da epilepsia é clínica e não espiritual. Portanto, deve ser tratada clinicamente e encaminhada para o médico".

Na prática do budismo é natural buscar e seguir as orientações dos médicos para o tratamento de doenças ao mesmo tempo em que devemos fortalecer a prática da fé. O protestantismo valoriza o dom da fé e o dom da medicina. O catolicismo ressalta que a epilepsia não é causada pela possessão demoníaca e nem pelas fases da lua.