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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rainha do Mar

Foto de Patrícia Carmo

"Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta" - Jorge Amado

Iemanjá é um orixá africano, tem como significado "Mãe cujos filhos são peixes". Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de Fevereiro, uma das maiores festas do país em homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.

Rainha do mar, tem como seguidores as religiões afro-brasileiros, e até membros de outras religiões. Pular as 7 ondinhas durante a virada do Ano Novo pedindo sorte e jogar no mar oferendas para a dinvidade, também é uma maneira de homenagear Iemanjá.

Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos, mãe de todas as cabeças humanas, adora cuidar de crianças.

Dia 2 de fevereiro também é dia da santa católica Nossa Senhora dos Navegantes. Em Salvador, a festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.

Interessantemente, em Pelotas, Rio Grande do Sul, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas e antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes, as embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.

Para ler mais:

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Intolerância religiosa

Tradição africana brasileira

Dia 21 de janeiro, dia Mundial da Religião e dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Data que marca o falecimento da Mãe Gilda, yalorixá do Terreiro Abassá de Ogum, vítima de um infarto depois da invasão e destruição ao seu templo religioso por crentes que se diziam evangélicos, os quais a acusavam de charlatanismo.

Durante séculos, as religiões de matrizes africanas* foram estigmatizadas por falta de informação, preconceito e crenças. Infelizmente, a interpretação e avaliação da tradição africana que começam em locais específicos, ou práticas, que então são generalizadas sem uma razão válida, se limita a sobreviver nos dias de hoje. O processo de reinterpretação dessas religiões começaram há aproximadamente sessenta anos. Antes tarde do que nunca para inverter o estigma que a rodeia. "Os africanos tradicionalmente são vistos como selvagens e irracionais, particularmente no Brasil, país de vasta trajetória escravista e que durante muito tempo rejeitou o legado das diversas culturas negras que por aqui aportaram", fato histórico que possa dificultar o processo de cicatrização.

A doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa é chamada de laicismo. Os valores primaciais do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa, e a origem humana e democraticamente estabelecida das leis do Estado. A religião pode não interferir diretamente na política, como é o caso dos países ocidentais ou a religião tem papel ativo na política e até mesmo na constituição, como é o caso do Vaticano.

"Não se deve confundir a laicidade do Estado com a neutralidade e a cegueira diante das injustiças cometidas contra as religiões no país". A mídia retrata poucos casos de conflitos violentos entre membros de determinadas Igrejas e outras culturas religiosas no Brasil, mas se buscarmos profundamente encontramos as referências. É importante ressaltar e diferenciar pessoas que se consideram líderes religiosos e inventam suas crenças que ridicularizam qualquer doutrina séria dos verdadeiros líderes.

A diversidade de dogmas e culturas tem como base a crença de uma força maior sobrenatural, criador do Universo. Cada religião define suas doutrinas de acordo com sua crença, peculiaridade e riqueza cultural. Uma religião não deve ser concorrente da outra, pois elas são complementares porque surgiram para tentar responder a uma série de perguntas que sempre estiveram presentes ao longo de nossa história. O dia nacional da intolerância religiosa vem nos alertar a importância do respeito e paz entre as religiões.


*As religiões tradicionais africanas envolvem ensinamentos, práticas e rituais que fazem a estrutura das sociedades nativas africanas, refletem concepções locais de Deus e do cosmos. Não acreditam em demônios e seres malignos. Tem consciência de que o homem é inspiração de Deus e tem a capacidade para fazer tanto o bem como o mal. Acreditam na existência de um Criador.


Para ler mais sobre:

Tradição religiosa africana: http://www.ifatola.com/

Reportagens sobre a legalização de terreiros: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,para-umbandista-governo-usa-religiao-como-propaganda,499324,0.htm e http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100121/not_imp498975,0.php