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sábado, 18 de dezembro de 2010

Vícios e compulsões

O desejo possui dois componentes distintos - gostar e querer. Gostar refere-se à obtenção de prazer, enquanto querer associa-se à necessidade real de alguma coisa. Em certas atividades, como comer, dormir e praticar sexo, o gostar e o querer se sobrepõem, e o desejo adquire valor de sobrevivência, mas pode ser destrutivo, caso estimule um vício. Um indíviduo com um vício pode querer e "precisar" de uma droga, mas sem gostar ou desfrutar dela; assim o prazer é contaminado pela destruição.

Substâncias aditivas podem ativar o sistema de recompensa da dopamina (neurotransmissor), proporcionando prazer, mesmo não sendo essenciais à sobrevivência. A exposição crônica às drogas leva à supressão dos circuitos de recompensa, aumentando a quantidade necessária para gerar o mesmo efeito.

O sistema opiáceo está envolvido no alívio da dor e ansiedade. A heroína e a morfina unem-se a receptores opiáceos, criando uma sensação de euforia. Os circuitos colinérgicos -onde age a nicotina- estão envolvidos com a memória e a aprendizagem. A cocaína age nos receptores noradrenérgicos, envolvidos com as respostas ao stress e à ansiedade.

"Aquilo tudo que você resiste, persiste" (Carl Jung)

A busca pela droga é fruto de uma desistrutura emocional, o indivíduo precisa se empapuçar para suprir essa desestrutura. A sensação de prazer que a droga proporciona a esse indivíduo é maior do que a vontade dele de encarar a realidade, para alguns é cômodo viver assim. A droga passa a ter prioridade em sua vida sem que o afetado tenha noção do acontecido, "prioridade oculta" para mim. Ele tem certeza que pode parar à qualquer momento - será isso uma verdade?

Quanto mais tempo for a resistência, maior o tempo em que o indivíduo estará mergulhado em sua mente, acreditando em verdades e conceitos que a droga lhe traz, e estará perdendo dias valiosos. Segundo palavras do Daniel (na postagem: http://cucacomcafe.blogspot.com/2010/09/defesa-do-uso-da-maconha-para-uso.html?showComment=1292684921643#c6478820105960385893) "a droga percorria nos labirintos da minha mente destruindo o que eu tinha de melhor em mim: a capacidade de aprender e de amar as coisas".

Enquanto isso, vão-se as motivações, os planos e ações, os entes queridos, os amigos que não usam droga, o amor de alguém.

É preciso encarar de frente os problemas da vida, aprender a cair e levantar. É preciso de ajuda e querer se ajudado, sempre!!!

E por fim, gostaria de dividir a mensagem emocionante, que o Daniel me deixaste, com todos para reflexão:
"Durante muito tempo meus pensamentos eram uma cela de prisão, e ser trancado do lado de dentro da mente sem nenhum espaço, é como uma simples gota d´agua que simplesmente cai sem ser notada por ninguém!"

Curiosidade:
Carl Gustav Jung (1875 – 1955), é fundador da escola analítica de Psicologia e introduziu termos como extroversão, introversão e o inconsciente coletivo. O psiquiatra ampliou as visões psicanalíticas de Freud, interpretando distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do indivíduo de buscar a perfeição pessoal e espiritual (texto extraído da Mente e Cérebro - Duetto).

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Maconha para uso medicinal ou uso recreativo?


Venho expressar minha opinião sobre recentes textos e discussões do uso medicinal de derivados sintéticos ou naturais da maconha como defesa para o uso, legalização, recreação da maconha e afins. Outro dia mesmo eu deixei um comentário no blog da sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (http://blog.sbnec.org.br/2010/07/nota-de-esclarecimento-sbnec-e-a-maconha-4/#comments).

Há uma certa confusão das pessoas que defendem o uso da maconha, pode-se observar que a grande maioria sempre associa a legalização da maconha e uso recreativo com o uso medicinal, e o fazem com alguns artigos, livros que mostram o seu benefício. Isso gera uma pergunta: Será que parte dessas pessoas que fazem uso recreativo da maconha estão mesmo preocupados com seu uso medicinal ou é só uma desculpa, em que se apoiam, para o seu próprio consumo? Os argumentos que vejo nos textos e ouço de algumas pessoas me deixam com muita dúvida quanto a esta resposta.

"É importante não confundir uso medicinal com uso recreativo". "É importante não confundir uso medicinal com legalização da maconha".

É engraçado a visão unifocal que algumas pessoas tem quando escrevem sobre o uso da maconha. Ultimamente, comecei a observar essa peculariedade nos textos de pessoas que defendem o uso do Cannabis, onde sempre mostram artigos beneficiando o seu uso. Por que será que essas pessoas não mostram artigos como:

- "Maconha é ineficaz contra mal de Alzheimer e destrói neurônios" (Universidade da Colúmbia Britânica e Instituto Coastal Health Research)

- "Maconha pode aumentar o risco de psicose"

- Outro trabalho publicado em julho de 2001, compara o efeito analgésico da maconha aos demais analgésicos no mercado não encontrando vantagens da introdução da maconha com esse fim (http://archpsyc.ama-assn.org/cgi/content/full/58/10/909)

Quanto a comprovação do uso medicinal da maconha, um texto diz:
"Muita literatura médica precisaria ser lida para permitir afirmativa tão categórica";
"Cabe a análise da relação risco/benefício ao se utilizar os derivados da maconha ou de qualquer outra droga".
Então, por que ser tão categórico em escrever um texto defendendo o uso da Cannabis se não podemos confirmar o seu uso medicinal?? Precisaríamos de estudos, principalmente a longo prazo, para saber realmente quais seus efeitos diretos e indiretos, não??

Podemos ver artigos que mostram efeitos benéficos do uso da maconha como: Analgésico, estimulante de apetite, etc........e os efeitos no cérebro??? Destruição de neurônios, mudança no comportamento, psicose, esquizofrenia......por que esses efeitos ficam de lado nos textos dos "defensores" da Cannabis???

Sei que há muito mais coisas por trás da sua proibição do que a discussão de benefícios de uma plantinha. Mas essa não é a discussão aqui apresentada.

Mostrem-me que o uso de derivados da maconha são medicinais, que não acarretam problemas neurológicos, que sua defesa está voltada SOMENTE para este uso e NÃO para o uso recreativo, que então, eu também passo a defendê-la.

domingo, 27 de junho de 2010

Maconha é ineficaz para o tratamento de Alzheimer



Estudo científico comprova que a maconha é ineficaz contra mal de Alzheimer e
destrói neurônios.

Um estudo publicado no jornal científico Current Alzheimer Research desmente pesquisas anteriores que afirmavam que o uso de maconha poderia trazer “benefícios” no tratamento do Mal de Alzheimer (doença neurodegenerativa caracterizada pela progressiva deterioração cognitiva e é a forma mais comum de demência). Segundo estes antigos estudos, a substância química HU210, uma fórmula sintética dos componentes encontrados na maconha, conseguiria estimular o crescimento de novos neurônios em ratos que carregavam uma toxina responsável pela formação de placas no cérebro, assim como na doença de Alzheimer.

Nos novos estudos, promovidos pela Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e pelo Instituto Coastal Health Research, foram usados ratos carregados com os genes humanos responsáveis pelo mal de Alzheimer - considerado por ser um modelo mais preciso para a doença em seres humanos.

Os cientistas esperavam bons resultados com o uso dos componentes da maconha, mas os ratos, tratados com altas doses de HU210 durante várias semanas, não se mostraram em condições melhores do que o grupo de controle – os animais que não ingeriram nenhuma substância. O efeito foi contrário: os animais que tomaram a droga acabaram com danos irreversíveis nas células cerebrais, confirmando a maioria dos estudos que afirmam que o uso da maconha afeta a inteligência e gera doenças.

O resultado desta pesquisa põe em xeque todos os demais estudos que pretendem “comprovar” os supostos benefícios do uso de maconha por portadores de males neuropsiquiátricos. Mais estudos devem ser feitos antes de colocar muita esperança nos benefícios da maconha para pacientes de Alzheimer.

Os efeitos maléficos da maconha atingem com certeza o comportamento e a personalidade dos usuários, além da síndrome amotivacional. Uma pessoa que use maconha tem como objetivo alcançar um estado diferente de percepção sentir-se como num sonho ou para relaxar-se. A constituição desses grupos reforça a certeza de que consumir maconha é a coisa certa, que a maconha é uma das coisas mais importantes da vida dele.

A respeito da legalização da maconha por ela trazer supostos benéficios, há uma certa hipocrisia por parte dos usuários em basear-se em artigos para defender o seu próprio consumo. Quando alguém mostra um artigo citando a maconha como “alvo-terapêutico”, os usuários dizem: “Viu só, estudos mostram o uso da maconha para o tratamento do câncer, da epilepsia, …”, mas quando alguém mostra artigos desmentindo seus benefícios, eles dizem: “AH…mas o álcool também destroí os neurônios” e aquele artigo nem é tocado. A via é de mão única!!!! São tão céticos que não observam isso!!!

Fonte:
http://www.publicaffairs.ubc.ca/2010/02/08/marijuana-ineffective-as-an-alzheimer%E2%80%99s-treatment-ubc-vancouver-coastal-health-research/

sábado, 16 de janeiro de 2010

"Iluminação sem drogas"

Algumas pessoas no Ocidente justificam o consumo de drogas dizendo que em muitas culturas religiosas antigas se tomavam drogas com fins meditativos.

"Acho que as drogas deveriam ser fundamentalmente rejeitadas", diz Sua Santidade o Dalai Lama, em Caminho da sabedoria, caminho da paz. "O desenvolvimento espiritual deve ser obtido por meio da maturidade, e não de influências externas. Uma pessoa que toma drogas perde a capacidade de pensar com clareza. A iluminação interior por que lutamos deve ser obtida por meio de treinamento mental e trabalho diário no aperfeiçoamento interior, e não por meio de narcóticos. Uma pessoa que toma drogas quer escapar dos problemas do dia a dia, em vez de encarar a realidade como ela de fato é. Por isso, equilibrar a natureza humana é muito importante em todas as culturas e sociedades, tanto no que se diz respeito à nossa própria saúde quanto à maneira com que as pessoas convivem umas com as outras. Uma ética básica se aplica aqui, quer a pessoa seja religiosa ou não"

Aquilo tudo o que você resiste, persiste!!
Uma pessoa que use maconha tem como finalidade alcançar um estado diferente do normal. O objetivo de alcançar um estado diferente de percepção sentir-se como num sonho ou para relaxar-se, indica que existe uma deficiência psicológica, uma desestrutura emocional: os problemas externos são muito fortes sendo necessária uma forma de compensação dessa tensão, é preciso se empapuçar para suprir essa desestrutura, ou o indivíduo que fuma maconha está fraco o suficiente para não enfrentar seus problemas naturais. O problema está no comportamento de fuga.

A maconha talvez não encurte a vida de uma pessoa como faz o cigarro, mas certamente compromete a qualidade dos anos vividos e atinge com certeza o comportamento e a personalidade dos usuários. Como efeito imediato há um prejuízo na memória de curto prazo, na amplitude da atenção, na capacidade de recordação e de reter conhecimento. As capacidades motoras também ficam prejudicadas e, em doses mais altas, podem ocorrer descoordenação e desequilíbrio. O álcool aumenta o prejuízo motor.

Um indivíduo de classe social média, saudável, com boa perspectiva de trabalho é o perfil do usuário mais freqüente de uso de maconha. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a perder experimentando a maconha. O resultado imediato do uso é positivo: torna-se mais aceito em seu grupo, se beneficia dos efeitos e inicialmente não há prejuízos em nenhuma área de sua vida. Assim sendo para quem não acreditava que não tinha nada a perder passa a ter algo a ganhar: a ligação com o uso passa a ser contínua com a permanente sensação de que pode parar o consumo da maconha quando quiser.

Quando a maconha é uma companheira inseparável ela faz com que as companhias que a rejeitam sejam rejeitadas pelo usuário. Quem rejeita a maconha são as pessoas que enfrentam os problemas e as dificuldades da vida de mente sóbria. Por outro lado, como em todos os grupos sociais, há uma busca pelo semelhante, então o usuário da maconha aceita e é aceito por outros usuários, que também têm por hábito fugir da realidade. A constituição desses grupos reforça a certeza de que consumir maconha é a coisa certa.

Quando um usuário de maconha passa a ter sucesso nos estudos torna-se objeto de referência para o grupo, todos acreditam que se fulano venceu apesar de fumar, cada um pode vencer também e se fracassar não será por causa da maconha. Vencer na vida não é vencer uma só batalha, mas lutar sempre. Essa disposição é incompatível com fumar maconha freqüentemente.

Quando uma pessoa experimenta o sabor da vitória pelo seu próprio esforço tende a deixar o uso da maconha por perceber que a vitória na vida é mais saborosa. Aqueles que alcançam o sucesso e continuam usando a maconha têm muito mais chances de perderem o que conquistaram, do que aqueles que abandonaram o uso substituíram o valor da maconha por outro melhor.

Para ler mais sobre a maconha e outras drogas acesse: http://www.psicosite.com.br/tra/drg/cannabis.htm

Revistas científicas:

Arch Gen Psychiatry –
http://archpsyc.ama-assn.org/cgi/content/full/58/10/909
→ A forma imparcial e confiável de se verificar a vantagem do uso medicinal da maconha é através da pesquisa científica. Um trabalho publicado em julho de 2001 comparando o efeito analgésico da maconha aos demais analgésicos no mercado não encontrou vantagens da introdução da maconha com esse fim.

The Lancethttp://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673607611623/abstract
→ Maconha pode aumentar o risco de psicose, diz estudo. Usuários de maconha e derivados tem um risco 40% maior de sofrer algum tipo de psicose – como esquizofrenia – do que não usuários, diz especialistas britânicos. No artigo, especialistas também afirmam que até 800 casos de esquizofrenia registrados anualmente na Grã-Bretanha, podem ser ligados ao uso da maconha. Os pesquisadores analisaram 35 estudos sobre a relação da droga com saúde mental.